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10 outubro 2014

PORTUGAL QUE FUTURO




59 anos de vida, filho de gente humilde, filho da aldeia, filho do trabalho, desde cria fui pastor, matei cordeiros, porcos e vacas, varri oficinas, montei móveis, entreguei roupas, fui vendedor, servi à mesa e ao balcão, fui vendedor de tudo, limpei chãos, comi com as mãos e 'pão que o diabo amassou', bebi águas estagnadas e vinhos azedos, pedi esmola e disso tudo não tenho vergonha, no fim somos da aldeia e porque fomos e seremos assim.
Cresci numa aldeia numa aldeia que pouco mais tinha que gente, trabalho e gente trabalhadora, cresci rodeado de aldeias sem saneamento básico, sem água e sem luz, sem estradas alcatroadas mas sempre com oferta de trabalho árduo e feroz.
Cresci numa aldeia com valores, com gente que se olhavam nos olhos, com gente solidária, com amigos de todos os níveis, com família ali ao lado.
Cresci com amigos que estudaram e outros trabalharam, os que estudaram, muitos à custa de apoios do governo, agora estão desempregados e a queixarem-se de tudo, e também 'por dá aquela palha' reclamam.
Os que trabalharam lá continuam a sua caminhada, a produzir para o país e a pouco se fazem ouvir, apesar de terem contribuído para o apoio dos que estudaram e nada receberam por produzir.
Cresci a ouvir dizer que éramos um país um Vias de Desenvolvimento e...
... de repente éramos já um país Desenvolvido, que depois de entrarmos na União Europeia o dinheiro tinha chagado a 'rodos' e que passamos de probretanas a ricos 'fartazanas'.
Cresci assim apesar de todas as contradições, sem nada e com tudo.
E agora, o que temos nós?
  • Um país com duas imagens. A de Lisboa, cidade grandiosa, moderna, com tudo e mais alguma coisa, lugar onde tudo se decide e onde tudo se divide, cidade com passado, presente e futuro.
  • Temos então o interior do país, território desertificado, envelhecido, abandonado, improdutivo, esquecido, pisado e velho.
  • Um país de vícios, esqueceram-se dos valores, sobrepuseram-se os doutores, não interessa a história, interessa o lugar que ocupas. Não interessa o que defendes, interessa o que prometes. Não interessa como chegaste lá, mas sim o que representas lá. Não interessa os modos como chegaste lá nem tão-pouco o que produziste, interessa o que conseguiste. Não interessa os meios para atingir fins, interessa o que me podes dar, não interessa o meu empenho, interessa o que obtenho (impostos a pagar). Não interessa que critiquem os políticos de nova vaga, interessa é estar lá. Não interessa saber que as associações de estudantes das universidades são os primeiros para a corrupção activa e passiva que prolifera em todos os sectores políticos, interessa é que o meu filhos lá esteja. Não interessa saber que as autarquias tenham gente a mais, interessa é que eu pertença aos quadros eleitorais. Não interessa ter políticos que passem primeiro pelo mundo do trabalho, interessa é que o POVO vá para c......!
  • Um país sem justiça, pedófilos que são condenados e dão aulas passados uns dias, pedófilos que por serem políticos são pegados aos ombros e juízes que são enviados para as catacumbas do inferno. Assassinos que matam por trás e que são libertados sete anos por bom comportamento. Criminosos financeiros que escapam por motivos nem ao diabo lembram. Políticos que passam a vida a enriquecer e que jamais têm problemas ou  alguém questione tais fortunas. Políticos que desgovernam um país e 'emigram' para Paris com dinheiros que nem sabe de onde veio. Bancos que assaltam um país e que o povo vergado ainda ajuda a salvar. Faço parte de um povo que vê tudo isto e entra no sistema, pedindo favores a toda a hora e alimentando a máquina que tanto critica e chora.
  • Um país sem EDUCAÇÃO, 'quem semeia ventos colhe tempestades'. Numa época em que a sociedade global apresenta níveis de exigência altamente sofisticados, em Portugal  a educação passou a ser um circo. Não se podem reprovar meninos mimados, não se podem chumbar os malcriados. Os alunos podem bater e os professores nem a voz podem levantar. Entrar na universidade passou a ser obrigatório por causa das estatísticas. Os professores saem com os alunos e alunas, e os alunos mandam nos professores (tu-cá-tu-lá). Ser doutor no final de contas é BANAL.
  • Um país que abandonou a produção endógena. Um país rico em solo (celeiro da Europa), em clima e em tradições agrícolas que abandonou sua história. Agora o que conta é ter serviços sofisticados, como se o afamado portátil fosse a salvação do país. Um país que julga que uma mega-fábrica (Auto-Europa) de automóveis dura para sempre. Um país que pensa que o turismo no Allgarve é que dá dinheiro para todos. Um país que abandonou a pecuária, a pesca e agricultura. Um país em que se recebe subsídios porque as cotas de pesca esgotaram. Um país que pisa quem ainda teima  em produzir e destaca apenas os engravatados doutores. Um país que proibiu a produção do Queijo da Serra artesanal na década de 90 e que agora dá prémios ao melhor queijo regional. Um país que diz ser o do Pastel de Belém, mas que esquece que tem cabrito de excelência, carne mirandesa maravilhosa, Vindo do Porto fabuloso, Ginjinha, Pastel de Tentugal tentador, Bolo Rei português único no mundo, Vinho da Madeira, Vinho Verde, lacticínios dos Açores e Azeite de Portugal uma das melhores riquezas de sempre para vender. Tanto mais, e tanto mais que sai deste solo, das nossas terras e da nossa história.
  • Um país sem gente e a perder a alma LUSA. Um país que investiu forte na formação de um povo, em engenharias florestais, zoo técnicas, ambientais, mecânicas, civis, arquitectura, advocacia. médicos, gestores, economistas e marketing , em cursos profissionais, em tecnologias e em tudo mais e que agora fecha as portas e diz aos formados que emigrem. Um país que está desertificado e sem gente jovem, mas com tanta gente velha e sábia que não tem a quem passar tamanha sabedoria. Um país com jovens empreendedores que desejam ficar mas são obrigados a partir. Um país que tem tanto para dar, mas com o barco da partida abarrotar. Um país sem alma, sem soberania, sem motivação e sem alegria. UM PAÍS GERIDO POR PORCARIA PARA NÃO DIZER MERDA. 
E agora, vale a pena acreditar?
Vale, se formos capazes de participar, congregar novos ideais sociais e mudar.
Porquê acreditar?
Porque oitocentos de história construída a pulso, não se destroem em 40 anos.
Porque o solo continua fértil, o mar continua nosso, o Sol continua a brilhar e a nossa alma, aí a nossa alma, essa continua pura e lusitana e cada vez mais fácil de amar, tudo isto porque nasci numa aldeia com valores humanos.






De Portugal_portugalito




Editado mas recebido por autor desconhecido, porque se soubessem ainda reabriam o forte de Peniche.




2 comentários:

PEQUENOS DELITOS RENOVADOS disse...

Belo relato de um homem simples, lutador, batalhador e que hoje choca-se com a falta de alternativas.
MEU PAÍS É A MESMA COISA MARTINHO.....
Poderia copiar isso e fazer desse post um libelo contra os políticos ladrões desse País.
Belo e profundo ensaio contra a falta de oportunidades!!!

Martinho Horta disse...

Delitos, podes fazer desta publicação o uso mais ou menos próprio, porque na realidade é o que temos e não é tão depressa que o cursor dos acontecimentos, não vai ser na minha geração e nem a vindoura que o Futuro de Portugal fica desempenhado.
Obrigado pelo comentário,

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